08 Club

Estava ansioso pelo momento de degustar e escrever sobre este charuto. Encontrá-lo na quantidade necessária foi uma verdadeira epopeia, assim como achar o momento certo para torná-lo a grande estrela do nosso clube.

As caixas estão armazenadas conosco a longos meses esperando pela chegada de agosto, mês em que comemoramos o dia dos pais, bem como o dia do magistrado e sinceramente, não existe simbolismo melhor que este para parabenizar a todos.

A curiosidade por este charuto aconteceu em dezembro de 2024 quando o mesmo foi reconhecido como o charuto do ano pela Cigar Aficionado. Com 98 pontos, este nicaraguense desbancou diversas marcas chegando ao topo daquele que é o ranking mais famoso e respeitado do mundo.

Mas o que faz um charuto ser eleito o melhor do mundo? 

Sua escala de pontuação divide-se em 4 critérios que são: Sabor (50 pontos), Construção e Aparência (15 pontos), Desempenho da Fumaça (15 pontos) e Impressão Geral (20 pontos). 

O simples fato de pegar este charuto nas mãos já demonstra sua personalidade e explicar o porquê da nota atribuída. Bitola generosa, anilhas muito bem elaboradas, capa levemente untuosa e o peso que se espera de um charuto.

Por padrão, furei o charuto – mesmo sendo um box pressed, resolvi arriscar – e para minha surpresa o fluxo dele estava perfeito. Acendimento com maçarico de 2 chamas e uma água com gás para acompanhar.

As primeiras impressões foram sensacionais: um charuto encorpado e com muito sabor. As especiarias estavam bem presentes desde o início e pareciam um pouco agressivas, mas a continuação dele ficou muito equilibrada. Cinza firme, e com os veios muito bem-marcados na queima além de uma entrega de aroma amadeirado impressionante – não sei especificar a madeira, mas tenho a impressão de que não era jovem.

A linha “The Judge” possui cinco distintas bitolas – todas com ring generoso – e foi criada para homenagear o pai de José Pepin Garcia que trabalhou como juiz em Cuba. 

A linha foi lançada em 2016 em caixas ornamentadas pela litografia clássica de 1905.

Com dimensão de 5” x 60 e formato box pressed, este charuto possui capa de semente Sumatra cultivada no Equador, duplo capote nicaraguense (corojo e criollo) e miolo com tabacos colhidos em Esteli e Jalapa nas fazendas da família Garcia – a estrutura de tabacos explica naturalmente sua potência média a forte.

Acabou de cair a cinza, que m**

O aroma está muito bom neste segundo terço, algo cremoso e levemente adocicado. A fumaça aumenta a cada baforada e uma sensação agradável de “funcho” (BAH) aparece muito distante, somada às notas mais acentuadas de “nuts”.

Me arrisco a dizer que os especialistas da Cigar Aficionado estavam corretos sobre a classificação deste charuto (hahahahaha).

Voltando ao charuto, adentrei o último terço. Aquela sensação de pimenta reduziu ainda mais, ficou apenas um residual. A evolução de aromas e sabores permanece crescente e cada vez mais equilibrado, mas o mais incrível é o retrogosto que não ficou nem um pouco hostil.

My Father Cigars nasceu em 2003 quando a família deixou Cuba rumo à Miami, constituindo a fábrica El Rey de los Habanos, anos depois, a marca chegou à Nicaragua onde se consolidou no mercado, fruto da experiência de um pai e da paixão conseguinte de seus dois filhos.

The Judge não é o primeiro charuto a conquistar o prêmio de melhor do ano pela Cigar Aficionado. Em 2012 a marca Flor de las Antilhas alcançou o mesmo feito com a bitola Toro (produzida pela My Father).

Assim como a resenha, o charuto está chegando ao fim deixando um residual forte e muito saboroso. Ainda é possível perceber evolução neste charuto – o que poucos entregam tão bem.

Finalizo deixando os parabéns aos pais e magistrados que tem em agosto um mês de muitas comemorações e à família Garcia por entregar ao mercado um produto de tamanha qualidade.

08 Club+

Agosto nos trouxe mais um charuto encorpado, daqueles que são verdadeiras “refeições completas” para quem degusta. A exemplo do MF, este também começou surpreendendo com uma boa dose de pimenta – ainda antes das primeiras baforadas.

Antes do corte com a guilhotina, umedeci o ponto de corte para dar mais segurança e percebi no mesmo momento a pimenta dominar o paladar. Pode ser algo relacionado ao tabaco, ao tempo de envelhecimento ou até mesmo a armazenagem dele então prefiro que tire suas próprias conclusões!

Este charuto possui uma capa equatoriana, capote hondurenho e – pasmem – miolo hondurenho com tabacos envelhecidos por 3 a 5 anos. Uma estrutura de tabacos que entrega o que promete: sabor, força e notas levemente doces.

Impossível não chamar a atenção para a untuosidade da capa que fica retida nos lábios ao longo da degustação, ao contrário da pimenta que está muito leve e agradável, na medida perfeita.

O Zino Honduras é a continuação estratégica da Davidoff de oferecer ao mercado charutos mais acessíveis – como se fosse uma porta de entrada da marca – revitalizando o nome do patriarca e fundador da fábrica. Lançado em 2021, o Zino Nicarágua se tornou uma grande sensação no mercado por permitir a democratização de uma marca ultra-premium.

Estou na segunda parte do charuto e a cinza já caiu – o que não me incomoda em nada – porém manteve-se intacta no cinzeiro. Não acho que o charuto seja tão potente quanto descrito pela marca porém, acredito que seja em função do perfil de sabor agradável que ele mantém.

Um aroma cítrico se apresenta de maneira leve. Bastante madeira e especiarias seduzem o paladar sem deixar uma marca tão presente permitindo um retrogosto macio. Sua queima está perfeita e a cinza marca os anéis de fumaça com uma elegância muito agradável.

Para curiosidade geral, este charuto foi lançado no mercado em 26 de junho de 2026 – a poucos dias – e possui uma ligação profunda com as raízes da marca que estão diretamente ligadas ao tabaco hondurenho. Sua produção é feita pela Diadema Cigars – em Honduras – conhecida como a fábrica Camacho!

Destacando novamente o charuto, preciso falar sobre anilha e embalagem. Sua anilha é simples demais, muito pouco chamativa assim como sua caixa que petaca que não possuem o glamour clássico da Davidoff. Não acredito que seja uma falha mas sim o posicionamento claro do produto no mercado.

Apesar de sempre enaltecer os charutos que possuem lindas anilhas e caixas adornadas, estas características, sinceramente, não me importam enquanto sommelier pois gosto mesmo é do tabaco porém, como varejo, mesmo entendendo o posicionamento da marca acredito que atrapalha a escolha do consumidor.

Último terço do charuto. A untuosidade dos lábios passou para o paladar e a fortaleza se apresentou um pouco mais. O charuto não apagou nenhuma vez e não demonstrou nenhum sinal de amargor ou residual químico. A madeira continua predominando a degustação e o retrogosto deste charuto e as nuances cítricas permanecem vivas – leves, mas vivas.

Gostei muito do charuto, não achei nenhuma complexidade nele como o previsto. Uma fumada muito agradável para um dia cansativo e acompanhado de uma bebida forte. 

Espero que lhe agrade muito este lançamento!

Boas baforadas.

Luis Henrique Roman – Cigar Sommelier

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