Edição - Junho 2026
LXXII

Existem pessoas que sabem comemorar seu aniversário, já outras eternizam o momento e deixam marcas memoráveis para a eternidade, a exemplo de Eladio Diaz.

Desde seu aniversário de 50 anos, Don Eládio mantém a tradição de criar misturas comemorativas presenteando o mercado charuteiro e, neste mês de junho, teremos o prazer de compartilhar com vocês uma fração desta história lendária.

Em 2025, comemorando seus 72 anos, chegou ao mercado o charuto “Eladio Diaz 72 aniversário edição Norte e Sul”. Com produção limitada a 2.500 caixas com 12 charutos cada, esta edição contempla o terroir dominicano, entregando ao mercado um “puro” com tabacos plantados nas regiões norte e sul do país.

Sua capa corojo – com 4 anos de añejamento – é cultivada ao sol e entrega rusticidade, elegância e sabor. Seu capote de sementes San Andrés Mexicano, cultivado na República Dominicana, entrega força e doçura do charuto, enquanto o miolo, que inclui Criollo 98, Corojo 99, Piloto cubano, Negrito e HVA do Sul, nos permite entender o porquê do nome dado a este presente ao aficionado.

A anilha do charuto possui adornos dourados e referências claras à comemoração que se somam à assinatura do autor desta obra e findam com a proteção do pé que fala muito sobre cuidado e respeito ao charuto – jamais cansarei de repetir isso!

E sobre a “fumada”?

Simplesmente espetacular. O acendimento é agradável com aromas leves de um charuto elaborado e envelhecido com o tempo necessário para não cutucar o nariz ou irritar os olhos. Um suave aroma de nozes ou amêndoas acompanha este início.

Sua queima é regular e acompanhada de uma fumaça densa e cremosa em cada tiro do primeiro terço, deixando algumas especiarias bem evidentes no retrogosto.

Ele evolui tão lentamente quanto queima e mantem-se aceso com facilidade – mesmo com fumadas espaçadas – apresentando algumas notas mais doces a medida em que avança para o segundo terço.

O cacau aparece em boca como um pequeno raio de sol entre nuvens de frio e permanece presente com uma delicadeza que não ofusca ou sobrepõe o blend. É possível percebê-lo em aroma, sabor e retrogosto ao longo do tempo.

Sua cinza persistente e peso abundante, são características facilmente notadas em cada terço deste charuto o que entrega uma elegância singular que somente algumas marcas conseguem entregar.

Opa, parece que a canela se apresentou e trouxe junto o café – que maravilha. Confesso que não sou um grande fã de canela, mas quando é apenas um tempero suave, torna a experiência ainda mais agradável ao paladar.

Ao mesmo tempo em que degusto este charuto, viajo na pesquisa sobre ele e confesso que as histórias ligadas ao mestre, seu cuidado e relevância ao mercado podem interferir um pouco minha percepção, mas achei este charuto espetacular, assim como a edição de 70 e 71 anos que tive o prazer de degustar.

Chegando ao final do charuto e desta resenha, faço uma referência estética a caixa que apresenta a cor verde na parte superior da imagem interna e na tampa da caixa e a cor marrom nas partes inferiores dela que nos remete a plantação e solo – respectivamente – mostrando que um charuto não é feito apenas de tabaco, mas de arte.

Antes de terminar, sugiro a você que leia a resenha do charuto “PLUS” pois neste mês nos permitimos uma dobradinha de Eladio – que jamais fora feito anteriormente.

LaCasa Club +

Me agrada saber que está por aqui, lendo a resenha desta “dobradinha” do LaCasa Club, então se prepara que lá vem pedrada.

Conheci este charuto a alguns meses e achei sua história fascinante. Este charuto é a primeira produção regular de Eladio Diaz e representa a história de legado que muitos empreendedores sonham em concretizar.

“Before” faz referência a história de Eládio no mercado charuteiro, enquanto “After” apresenta uma nova etapa onde os filhos perpetuam sua história dando continuidade ao legado – por isso o nome da bitola é My Family.

Quando tive a oportunidade de receber algumas caixas deste charuto, confesso que o fiz por ser um produto Diaz Cabrera mas demorei um pouco para pesquisar e compreender qual o motivo de encontrar um charuto “Eladio” que não fosse comemorativo então, pesquisei, compreendi e fiquei curioso para degustá-lo. 

Não sou um historiador – muito longe disso – mas me satisfaz ter ligação com marcas e produtos que tenham “motivo” para existir pois acredito que as melhores criações acontecem quando o lucro é consequência e não a razão.

Lembro de olhar para a caixa e escolher o terceiro charuto da esquerda, sentar-me na mesa que fica em frente ao espaço destinado aos clientes do LaCasa Club Lounge e acender o charuto para acompanhar minha rotina de trabalho – despretensiosamente.

O primeiro terço não me impressionou – não posso negar a verdade – mas o que veio na sequência me obrigou à atenção. Por paladar, tenho uma pré-disposição a charutos que entreguem alguma doçura ao longo da degustação e foi exatamente o que aconteceu aqui.

Algumas pessoas relatam perceber notas de baunilha ou pipoca doce quando fumam determinados charutos, eu já fui levado à lembrança de panqueca – sabor doce e cremoso – mas este revelou algo semelhante ao famoso “leite queimado”.

Talvez você esteja lendo e rindo da minha comparação – tudo bem, fique tranquilo – mas o meu paladar não tem uma aferição perfeita a sabores enquanto minha memória consegue me levar a momentos da vida e lembranças visuais mais facilmente.

Charuto agradável – daqueles que dá vontade de fumar até a anilha – leve, elegante e prazeroso. Um charuto para se repetir constantemente quando se busca a certeza de uma degustação segura e perfeita, é a minha definição sobre este charuto, porém, deixo espaço para suas percepções as quais espero serem tão positivas quanto.

Voltando a falar sobre Don Eladio, figura que merece toda a atenção, menciono o recorte de uma publicação feita pela Cigar Adventure em junho de 2024 (junho, que coincidência não é mesmo?) onde ele compartilha 3 lições para os apreciadores de charutos:

  1. Nunca se contente com um charuto favorito – se você não provar, talvez não tenha a oportunidade de conhecer algo ainda melhor.
  2. Dê valor a escuta – a experiência de cada fumador é uma oportunidade de aprendizado.
  3. Respeite o ofício – a arte de fazer charutos está enraizada no respeito.

Em resumo – segundo Eladio – a excelência está em não se contentar, ouvir e valorizar opiniões e respeitar o tabaco em todos os seus processos, ou seja, da próxima vez que acender um charuto, lembre-se de explorar, ouvir e respeitar a arte — assim como Eladio Diaz faria.

Boas baforadas

Luis Henrique Roman

Cigar Sommelier LaCasa 1973 e LaCasa Vale

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