Review - maio 2026
Casdagli . Club

Não é a primeira vez que esta marca desfila por aqui e, pessoalmente, espero que não seja a última. 

Casdagli é uma daquelas marcas boutique que conquista aficionados pelo mundo todo não apenas por seus charutos, caixas e anilhas, mas pelo cuidado que possui na seleção dos tabacos e na composição de seus blends guiados por Hendrik Kelner Jr. da KBF.

Fazendo parte da “família Basílica”, este charutorecebe o nome de C#2 por conta de seu formato e dimensão, respectivamente, apresentando-se com uma capa brasileira e um detalhe que não passa despercebido no acendimento, o famoso “pé peludo”.

Este acabamento de visual rústico não se deve à falta de tabaco durante a produção, mas sim à permissão dada a nós de degustar seu início através do blend sem capa, ou seja, dando força e sabor ao miolo.

Capa Cubra – brasileira – com capote e miolo dominicanos, elaborado na dimensão de 7,5”x39, esta bitola homenageia o famoso charuto Cohiba Lancero (primeira bitola da marca que fora produzido para Fidel Castro e seus presentados) mantendo as dimensões do charuto cubano.

A volta da marca Casdagli ao nosso “club” se deve ao seu retorno oficial ao mercado nacional, mas principalmente ao nosso desejo de que você possa degustar a bitola lancero que ainda divide opiniões e gera certa dúvida quando exposta nas prateleiras.

Uma bitola pouco discreta, exuberante e elegante que demanda atenção à cadencia aplicada para que não se apague demasiadamente e permita-nos uma experiência de sabor mais concentrada.

O início deste charuto é muito promissor e parece queimar rápido demais porém, a medida em que os terços evoluem, é possível notar que sua fumada é longa e cada “bucanada” forma poucos anéis de fumaça.

O prazer da bitola está exatamente na concentração que se faz necessária para extrair o máximo de sabor, sua cinza é longa e persistente, como se houvesse um arame dentro do charuto. Seu diâmetro parece não preencher os lábios, porém sua potência entrega muito mais que o esperado.

De fumaça cremosa, sabor adocicado e um belo toque de especiarias, seu equilíbrio é destacado assim como outros charutos da linha que possui o total de 5 bitolas.

Em sua anilha é possível admirar Emmanuel Casdagli, patriarca da família, fundador da marca e principal responsável pelo retorno dos tabacos cubanos ao Reino Unido em 1951 quando visitou Cuba representando o Conselho do Comércio daquele país.

Poeticamente falando, abrir sua caixa é deparar-se com um piano pronto para ser tocado.

Enquanto degusta este charuto e prestigia este conteúdo, sugiro um “click” no link abaixo para uma aula do connoisseur Cesar Adames sobre o surgimento dos charutos lancero – um vídeo curto e recheado de história.

https://jammcigar.com.br/lancero/

Encerro por aqui minha escrita, porém, como sei que o charuto ainda tem muito a ser queimado, sugiro que desacelere ainda mais seu ritmo e continue sua degustação acompanhado daquilo que mais lhe agrada, a final de contas é isso que torna o charuto democrático e prazeroso.

Medici . Club+

Entregar este “puro” brasileiro, por si só, já seria um momento de muita alegria para nós, mas existem outros elementos que tornam este um verdadeiro prestígio aos diletos membros deste club.

Graças ao carinho e cuidado do nosso distinto amigo Zé da Jamm, estamos antecipando a vocês uma edição limitada no momento exato do seu lançamento oficial, prestigiando a nós como empresa e a todos vocês “aficionados por um bom charuto”.

O timing do lançamento foi perfeito – pré-copa do mundo – a anilha não poderia ser mais brasileira em cores, acabamentos e elementos gráficos, e o nome uma homenagem ao 28º presidente brasileiro – gaúcho de Bagé.

O encanto estético é evidente por isso a grande surpresa está em sua construção que leva o tabaco Perique envelhecido por 6 anos em barris de carvalho entregando doçura e especiarias ao longo de toda a degustação (um aroma 100% exclusivo do Brasil).

Mata fina, mata norte, cubra e arapiraca completam seu blend registrando a ambivalência deste charuto que promete quebrar os paradigmas de um mercado que se multiplica diariamente e busca prazer em cada baforada.

Dadas as circunstâncias, nada melhor para o momento que ler as palavras do seu idealizador:

Prezado charuteiro:
Temos a alegria de apresentar um lançamento que vai além de um charuto — é um convite a uma verdadeira viagem pela história, marcada por riqueza de detalhes, tradição e personalidade: o D’ Médici.
Produzido a partir de um blend originalmente destinado ao mercado internacional, tivemos a rara oportunidade de adquirir esse lote exclusivo e trazer ao Brasil uma experiência única. O grande destaque fica por conta do tabaco Perique envelhecido por 6 anos em barril de carvalho, responsável por entregar um perfil aromático sofisticado, intenso e absolutamente diferenciado — um aroma 100% exclusivo no Brasil.
Combinando essa raridade com a força e identidade dos nossos terroirs, o D’ Médici carrega uma assinatura genuinamente brasileira. Sua composição reúne folhas selecionadas de Mata Fina, Mata Norte e Cubra, com capote Cubra e capa de Arapiraca, resultando em uma construção impecável e uma verdadeira explosão de sabores — com notas adocicadas extremamente elegantes e envolventes.
Tudo isso apresentado em uma caixa laqueada em cedro, digna de colecionador, reforçando o caráter premium e a exclusividade desse lançamento.

Enquanto preparo este conteúdo, estou na ansiedade por receber, tocar e degustar este charuto, sua ausência não me permite descrever o prazer e a elegância entregues, por isso deixo toda e qualquer percepção sensorial para a sua degustação.

Para finalizar, quero agradecer aos amigos Hélio e Zé pelo cuidado em nos atender enquanto curadores de novidades e pela oportunidade de presentear nosso club com este formidável lançamento.

Boas baforadas

Luis Henrique Roman

Cigar Sommelier LaCasa 1973 e LaCasa Vale

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