Uma figura lendária, mítica, que já foi “protagonista” de uma novela brasileira, hoje se faz presente na forma de charuto com uma bitola agradável e bastante potência, apresento-lhes o CHUPACABRA.
Este charuto está em nosso umidor a muitos meses, sendo umidificado para o momento certo de chegar ao seu encontro. A bitola deste Robusto Grande é “longa”, sua fortaleza média a forte e seu peso é digno de uma bela fumada.
Dentre outros motivos que nos levaram a esta entrega é o fato de ser produzido pela Tabacalera Esteban Carrera – uma novidade para nós. Fábrica simples, situada no coração tabaqueiro da Nicarágua, produz charutos premium para marcas renomadas, além das suas próprias: Unforgiven, Cashmere, Mr. Brownstone, Chupacabra e Covenant.
O nome Chupacabra foi escolhido em 2012 pelo proprietário da marca, Craig Cunningham, como uma estratégia de marketing inspirada no folclore latino para destacar a natureza misteriosa, forte e “selvagem” do charuto – o que se confirma ao longo da fumada.
A marca está disponível em 5 bitolas: Chupitas, Robusto Grande, Toro, Gordito e Sixty, todos com mesmo blend e a mesma história para contar.
Sobre a degustação?
Baita charuto, encorpado na medida certa, agradável do início ao fim e com uma ótima evolução de aroma e sabor. Queima regular, capa estruturada, firme e uma construção digna de um belo torneio de cinzas.
As notas presentes neste charuto são muito agradáveis, toques leves de café, madeira e aquele herbal que gera debate entre charuteiros – e aqui agregou bastante. A picancia é equilibrada e cria uma belíssima experiência.
A anilha é digna de coleção – não pela exuberância, mas pela figura mítica. Se colocar ao lado de um “Peugeot” parece edição comemorativa – logicamente é uma brincadeira minha!
Gostei demais do pigtail e do closed foot.
Pigtail na sua tradução é rabo de porco, em charutês é a capa trançada. Muita gente gosta de literalmente enrolar e arrancar ao invés de cortar o charuto para liberar o fluxo.
Closed foot na sua tradução é “pé fechado”. E em charutês trata-se do pé do charuto fechado com a folha de tabaco. O objetivo aqui é conservar os aromas e as propriedades do charuto.
Não menos importante é a apresentação interna da caixa, protegendo os charutos com folhas da própria planta – o aroma na abertura da caixa é fenomenal. E a apresentação é peculiar.
Um charuto verdadeiramente diferente – reforçando o objetivo do CLUB – daqueles pouco explorados no mercado, mas com uma rica experiência ao aficionado.
Desejo, sinceramente, que você goste desta escolha e tenha uma ótima experiência.
Neste mês de outubro, resolvemos entregar uma experiência TOTALMENTE nicaraguense, com charutos que se assemelham em força e folha, porém, se distinguem em anilha, bitola e fabricação.
A história de Villa Vieja começa em meados de 1685 com a sua primeira plantação de tabacos na Nicarágua cujo objetivo era cultivar o melhor de Esteli. Suas plantas, folhas e fermentação, logo começaram a ter presença em diversas misturas nacionais e importadas o que manteve a fazenda operando por mais de 300 anos.
Até 2019, produzir tabacos de excelência era o suficiente para a fazenda Villa Vieja, quando a nova geração da família resolveu que era hora de eternizar a marca através de um “blend” que reforçasse suas origens e levasse ao consumidor uma das marcas mais antigas do mercado mundial.
Após diversos testes – interrompidos pela Covid-19 – entendeu-se que o produto estava pronto para chegar ao mercado levando consigo “tradição” e uma excelente experiência, o que deu origem, em 2022, ao charuto Villa Vieja Clássico em três distintas bitolas.
Marca jovem, porém, com ancestralidade e o mais incrível, produzido pela Aganorsa – uma conceituada fabricante de charutos – que se localiza em Esteli, berço dos mais importantes charutos nicaraguenses.
A anilha possui um charme a parte. O verde e dourado dão o tom do charuto e entregam um visual de desejo (pelo menos para mim). As informações que constam nela representam o cuidado com a produção: Con dos manitas – o carinho do processo produtivo.
A referência da marca, assim como a recordação dos mais de 300 anos de cultivo já seriam suficientes para explicar o charuto, porém, ela vai além homenageando o Pirata Morgan (1635 – 1688), um corsário que navegava pelos rios do país realizando seus “negócios”.
A escolha deste charuto foi visual, sua anilha nos chamou muito a atenção e somou-se à dificuldade de encontrá-lo em solo brasileiro. A expectativa ficou ainda maior quando encontramos a história deste exemplar, não somente o fato de ser um “Aganorsa” como também a memória familiar histórica que descreve sua cinza.
A apresentação é impecável – macia e oleosa – com uma capa que dá prazer em observar. O aroma é penetrante, como os melhores nicaraguenses disponíveis no mercado. A bitola é vistosa e firme, com tabaco de sobra para entregar uma fumada rica e consistente.
O fluxo deste charuto é muito agradável, na medida certa, enquanto seus sabores entregam riqueza e sofisticação sem nenhuma sobreposição agressiva – daqueles para degustar, apreciar ou fumar diariamente. O herbal, característico da Nicarágua é sutil ao contrário da fortaleza que aparece ainda no primeiro terço.
Percebi um amendoado persistente e uma doçura de baunilha – no aroma – que insistiu em se mostrar no segundo e terceiro terços. Acredito, por experiência, que o equilíbrio também esteja relacionado à bitola que é composta por uma quantidade maior de folhas.
O tabaco “habano” tempera muito bem o charuto que, apesar de ter uma estrutura técnica semelhante ao Chupacabra – charuto do plano Club – entregam ainda mais aroma neste charuto.
Um charuto com uma bela história, produzido pela aganorsa, com tabacos cultivados exclusivamente na Nicarágua, uma simples e bela caixa, anilha atrativa e uma mistura de aromas e sabores equilibrados e muito agradáveis, como diria meu conterrâneo “Chico Raíz”, CONTA PONTO.
Finalizo este review com a certeza de que, mais uma vez, surpreenderemos o seu paladar! Desejo, sinceramente, que você goste desta escolha e tenha uma ótima experiência.
Excelentes baforadas.
Luis Henrique Roman – Cigar Sommelier LaCasa



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