Review Janeiro 2026
Resenha La Palina Classic

O ano era 1896 e a cidade de Chicago/USA vivia um de seus melhores momentos com a fabricação de charutos, sendo dormitório de mais de 300 fábricas. O setor crescia à alguns anos, a empregabilidade era alta e o serviço, assim como hoje, totalmente manual.

Alguns anos antes um jovem Ucraniano chamado Samuel Paley (Sam), revolvera imigrar à América com o objetivo de melhorar sua condição social e financeira. Logo após sua chegada à cidade de Chicago, encontrou morada nas fábricas de tabaco onde pode conhecer todo o processo de fabricação chegando anos mais tarde à gerência de uma fábrica.

Tudo parecia muito bem, bom emprego, estabilidade e família, tudo que um homem comum precisa para sentir-se vitorioso, mas não para Sam que sonhava em deixar seu legado neste país que tão bem lhe acolheu e, unindo-se a Goldie Drell Paley, iniciou seu empreendimento: Congress Cigar Factory.

Seu objetivo era criar um produto de alto padrão, um charuto que tivesse conceito, história e principalmente fosse apreciado pela casta americana e depois de alguns testes chegaram ao “blend” ideal. Prontos para o lançamento do produto, Sam buscou na família o elemento final para agraciar sua obra, chamando-o carinhosamente La Palina, uma singela e doce homenagem àquela que sempre fora seu porto seguro, sua esposa.

O lançamento foi um sucesso, assim como sua fábrica que chegou a produzir mais de 1 milhão de charutos/dia, tornando-se referência não apenas na cidade, mas no país inteiro. Sua história era construída, seu nome reverberado e seu charuto elogiado porém, três décadas depois o país foi acometido por uma grande depressão, ceifando o que poderia ser um sucesso ainda maior.

Antes de fechar sua fábrica, Sam investiu parte dos lucros em uma estação de rádio para que seu filho William pudesse empreender. A astúcia para os negócios parecia acompanhar gerações, aquela estação de rádio abriu filiais, transformou-se em uma emissora de televisão – CBS – fazendo de Will um dos mais respeitados empresários do mercado. Sua união matrimonial com a editora da revista Vogue Babe Paley, trouxe ao mundo “Litlle Bill” que mesmo sem saber, estava predestinado a manter o legado do avô.

No início dos anos 2000, por iniciativa própria, “Little Bill” iniciou o projeto de retorno da marca La Palina, uma homenagem póstuma a seus avós, criando uma boutique de tabacos premium em parceria com as melhores fábricas do continente americano.

Tenho certeza de que você já se perguntou o porquê do nome “Davidoff of Geneva”, mas não estou seguro de que saiba o motivo por trás do nome, então, acende o charuto para matar esta curiosidade.

Surgida no início do século XX, em Genebra, Suíça, a marca se tornou um símbolo de luxo e sofisticação em charutos e outros produtos. Com o passar do tempo e a introdução honrosa de outros membros da família no negócio, ZINO DAVIDOFF, um apaixonado pelas “coisas mais refinadas do mundo” desenvolveu – com muito esmero, dedicação e bons parceiros – uma marca que se tornaria um verdadeiro ícone mundial sem perder sua identidade incipiente.

Genebra ou Geneva é uma cidade luxuosa e refinada, além de ser o casulo de toda esta história por isso, nada mais justo que manter a referência aos seus produtos tanto pelo reconhecimento quanto pela história.

Nascido em 1906, Zino Davidoff iniciou a atividade tabaqueira na Rue de Marché, um local que serviu de morada para grandes personalidades, porém, foi durante a 2ª guerra que sua história mudou, tornando-se o único lugar seguro para comprar charutos em toda a Europa, o que chamou a atenção do mundo, principalmente de Cuba.

Nos anos 60, associado à Cubatabaco, iniciou a produção dos charutos Davidoff (na mesma fábrica onde se produz o icônico Cohiba) porém, após alguns desentendimentos transferiu sua produção para a República Dominicana nos anos 90, onde encontra-se até hoje.

Após anos de planejamento, desenvolvimento de produto e análise de mercado, a nova linha estava pronta para retornar. Foi então que em 2010, em um bar de cobertura em NY, o mercado conheceu o que seria chamado de La Palina 2.0, um charuto rico e exuberante destinado, principalmente ao lifestyle do bon vivant.

Findada a breve história da marca, o que podemos esperar deste charuto? Bom, nada menos que a excelência.

Seu blend foi concebido por ninguém menos que Samuel Phillips – ex Rocky Patel e Alec Bradley – e Clay Roberts – ex Alec Bradley e AJ Fernandez e produzido pela STG. A mistura de tabacos nicaraguenses e dominicanos, adornados pela leve e sedosa capa equatoriana é sustentada por uma grande anilha que mantém os traços femininos levando o charuto a memórias dos anos dourados do mercado americano.

Um charuto de sabor leve com uma fumaça cremosa e um fluxo invejável, ideal para acompanhar uma manhã de sol. Sabores que variam entre o doce, amadeirado e uma leve picância, acompanham a qualidade do tempo que lhe é destinado.

Cinza firme, com anéis bem desenhados e um retrogosto agradável também são impressões de fácil identificação, mas mantenha a calma na hora de degustar este charuto pois a capa Connecticut precisa de “sorvos” sutis, evitando que o amargor se apresente e jamais lhe abandone.

Sua bitola é generosa, de fumada longa. Seu terço final evolui com elegância, permitindo que os dedos sintam o calor da “brasa” pois é impossível abandonar este charuto e a anilha, está com certeza será destaque em seu álbum de recordação.

Desejo que sua memória tenha viajado ao longo dos séculos, que seu palato esteja comemorando o carinho recebido e que sua percepção seja a do “lifestyle” da marca. 

Boas baforadas

Luis Henrique Roman

Cigar Sommelier LaCasa 1973 e LaCasa Vale

01_Janeiro_26_Club+

Quando falamos da Jamaica, tenho certeza de que o tabaco negro não é a primeira coisa que vem à sua mente, muito menos charutos premium, mas não se engane, ela já foi a 4ª maior fornecedora do mercado americano, principalmente durante a segunda guerra mundial.

Diversas marcas foram gestadas neste belo país, incluindo a Macanudo. Produzida pela Temple Hall, com processos totalmente artesanais e uma qualidade superior, destinava-se exclusivamente ao Reino Unido onde gozava de uma reputação “Premium”.

Foi nesta marca que a STG apostou suas fichas durante os anos 60 com o objetivo de reposicionar e elevar seu nome no mercado mundial – a STG comprou algumas fábricas neste período, incluindo a Temple Hall.

A linha de charutos Macanudo, posteriormente conhecida mundialmente, passou a criar um nível de experiência com suas linhas vintage – desde 1988 – apresentando capas de safras ricas, envelhecidas e com grande potencial de sabor, exatamente o que veremos neste charuto Connecticut 2013.

O ano de 2013 em Connecticut/USA foi marcado por uma condição climática extremamente favorável ao plantio do tabaco com dias quentes e noites de chuva, o que criou uma safra rica em performance – folhas grandes – e sabores. Este tabaco Broadleaf Connecticut, com mais de 10 anos de envelhecimento, envolve e dá forma ao nosso charuto LaCasa Club+.

Para coroar este exemplar – e o seu conhecimento – nada melhor do que uma ficha técnica completa sobre esta raridade “vintage”:

Capa: Broadleaf Maduro produzido em Connecticut/USA;

Capote: Olancho hondurenho San Augustin;

Miolo: Jalapa da Nicarágua, piloto cubano seco, piloto cubano ligero e mata fina brasileiro.

Um blend rico e diversificado que forma um charuto de rápida combustão e cinza alongada e permanente, com evolução de sabor em cada terço degustado. Os sabores – muito particulares – apresentam variações entre o doce e o picante, passando por lembranças terrosas e amadeiradas que enriquecem a experiência.

Lançamento: julho de 2023

Master Blender: Jhonys Diaz

Nota de degustação: 92 pontos

A degustação deste charuto foi submetida a cinco avaliadores com o charuto sem anilha e envelhecimento de apenas 6 meses.

As impressões desta avaliação profissional estão repletas de aromas e sabores – em cada terço – além de informações sobre cinza, queima, capa, combustão e outros fatores porém, acredito (pessoalmente) que o charuto necessita de uma democratização, então me permito deixar aqui, uma opinião particular sobre este charuto.

A apresentação é maravilhosa, sua caixa e anilha se destacam facilmente na prateleira do umidor de qualquer tabacaria. Ao remover o celofane, ele estava levemente escuro, manchado pela oleosidade da capa – eu acho isso fascinante.

O charuto realmente entrega bastante sabor deixando sua doçura aparente desde o princípio. O tabaco mata fina está muito equilibrado fundindo-se muito bem ao blend para não ficar exagerado ou apagar as demais folhas.

A cinza custou a abandonar a fumada e quando o fez, deu uma “pancada” maior na boca que mesmo assim manteve a leveza do retrogosto.

Comecei a degustação com o furador, mas logo no segundo terço resolvi cortar o charuto para que ele ficasse mais leve – ou menos encorpado. Ao longo da degustação, a fumaça se manteve firme e a oleosidade da capa permaneceu até o último terço. O final dele ficou mais encorpado, porém o perfil de sabor ainda estava muito agradável, o que deve agradar àqueles que gostam de charutos encorpados.

Gostei muito do charuto e recomendo esta experiência. Como sempre, minha degustação é acompanhada de uma água, mas, se quiser elevar sua experiência, adicione um Bourbon ou Single Malt – sugestão da STG – para gerar ainda mais equilíbrio, lembrando sempre de não se prender excessivamente a isso, degustando-o com o que mais lhe agrada.

Espero que tenhas uma ótima impressão deste “Vintage” – usando ou não seu chapéu e suspensório – e repita-o pela satisfação de cada anel de fumaça.

Boas baforadas

Luis Henrique Roman

Cigar Sommelier LaCasa 1973 e LaCasa Vale

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja outras curadorias