Tenho certeza de que você já se perguntou o porquê do nome “Davidoff of Geneva”, mas não estou seguro de que saiba o motivo por trás do nome, então, acende o charuto para matar esta curiosidade.
Surgida no início do século XX, em Genebra, Suíça, a marca se tornou um símbolo de luxo e sofisticação em charutos e outros produtos. Com o passar do tempo e a introdução honrosa de outros membros da família no negócio, ZINO DAVIDOFF, um apaixonado pelas “coisas mais refinadas do mundo” desenvolveu – com muito esmero, dedicação e bons parceiros – uma marca que se tornaria um verdadeiro ícone mundial sem perder sua identidade incipiente.
Genebra ou Geneva é uma cidade luxuosa e refinada, além de ser o casulo de toda esta história por isso, nada mais justo que manter a referência aos seus produtos tanto pelo reconhecimento quanto pela história.
Nascido em 1906, Zino Davidoff iniciou a atividade tabaqueira na Rue de Marché, um local que serviu de morada para grandes personalidades, porém, foi durante a 2ª guerra que sua história mudou, tornando-se o único lugar seguro para comprar charutos em toda a Europa, o que chamou a atenção do mundo, principalmente de Cuba.
Nos anos 60, associado à Cubatabaco, iniciou a produção dos charutos Davidoff (na mesma fábrica onde se produz o icônico Cohiba) porém, após alguns desentendimentos transferiu sua produção para a República Dominicana nos anos 90, onde encontra-se até hoje.
Utilizando tabacos de diversos países, misturados sob a orientação de mestres tabaqueiros experientes, os charutos Davidoff são um símbolo de elegância que ainda desperta a curiosidade de aficionados do mundo todo – sua preocupação com a qualidade do produto é tão criteriosa que, em 1989, Zino incendiou mais de 130.000 charutos Havana por problemas relacionados a queima e puxada.
O charuto selecionado para encerrar o ano de 2025 é um robusto “multinacional”, trazendo em sua composição folhas equatorianas, brasileiras e dominicanas, temperando seu sabor de uma maneira contrastante ao passo que oferece sabores doces e picantes.
Um charuto de muita originalidade e sabor inconfundível que combina o tabaco Cubra – o fogo do criollo cubano – com mata fina, variedades dominicanas e uma capa equatoriana, enclausurado em um elegante tubo que o protege e mantém intacto seu aroma, merecendo todo o respeito e cerimônia litúrgica para fazer da sua degustação o momento ideal para sonhar e planejar o futuro.
Lançado em 2015, este charuto faz parte da Black Band da Davidoff, uma série concebida para ser mais intensa que a já conhecida White Band (coleção da qual faz parte a linha Grand Cru que figurou por aqui em agosto de 2024). Esta mesma coleção é composta pelos charutos Nicarágua e Yamasá.
A harmonização deste charuto fica por sua conta porém, caso aceite sugestões, dê preferência para coquetéis refrescantes que adicionam uma dimensão ácida à experiência, ampliando sua percepção de aromas e sabores de todos os territórios aqui presentes.
Deguste-o sem medo, ignore o peso da anilha, apenas aproveite o tempo recordando o lema criado por Zino: “Fume menos, mas melhor e por mais tempo – faça disso um culto, uma filosofia”.
Boas baforadas – Raquel Cusin
Se a sua televisão sintoniza o canal Food Network, é muito provável que já tenha ouvido o bordão: “Bem-vindo à cidade do sabor”, repetido em diversos programas de culinária estrelados pelo Chef Guy Fieri – uma figura singular de alma leve e muita simpatia.
Todos conhecemos o chef eclético e excêntrico que varia sua culinária a cada episódio, mostrando os mais variados caminhos e sabores do mundo, porém, o que poucos sabem, é que sua arte vai muito além da culinária, aproximando diversos outros prazeres mundanos como bebidas e charutos que integram seu universo “flavortown”.
Do outro lado desta história, encontramos Erik Espinosa – nascido em Havana – um herdeiro da paixão por charutos que começou a trabalhar no setor em 1997 passando por empresas como: Alec Bradley, Gurkha, Rocky Patel e Drew Estate fundando em 2004 a EO Brands e passando a produzir seus próprios charutos.
Em 2011, na cidade de Esteli, Nicarágua, fundou a fábrica “La Zona” (importante deixar claro que é uma fábrica de prazeres que advém do charuto) levando a marca a tornar-se uma das principais boutiques do tabaco produzindo mais de 1,4 milhões de charutos por ano.
Entre erros e acertos, a marca passou por linhas que foram descontinuadas rapidamente até charutos que figuraram no Top 25 da Cigar Aficionado e permanecem fortes até hoje, porém, foi durante a pandemia que surgiu a união Espinosa x Guy Fieri.
Apresentados por um amigo em comum, perceberam que partilhavam da mesma paixão por charutos e, a partir deste encontro surgiram as linhas Knuckle Sandwich que prometem ao apreciado uma “refeição completa”.
Um charuto de fortaleza média que mistura tabacos nicaraguenses envoltos em uma capa habano equador – coincidentemente ou não, a mesma capa do charuto Davidoff Escurio – com notas de aroma e sabor que remetem à culinária produzido por nada menos que a fábrica A.J. Fernandez.
Com uma anilha incomparável que reúne elementos culinários ao toque artístico e pouco convencional nascido desta união, apresenta uma “anilha de pé” – o que para mim é um símbolo de cuidado e capricho com o consumidor.
O charuto é elogiado por sua construção, queima uniforme e bom fluxo, recebendo notas que variam entre 90 e 92 pelos especialistas da Cigar Aficionado.
Infelizmente os charutos da linha Espinosa não estão disponíveis de forma regular por aqui, porém brindam o dezembro do nosso clube para acompanhar seus encontros gastronômicos.
Para finalizar esta história e deixá-lo degustar o charuto, recorto parte de uma entrevista de Erik à Cigar Aficionado: “Não vou fazer um charuto para uma celebridade. Vou fazer um charuto que por acaso será para uma celebridade”, então, sinta-se célebre ou apenas celebre este charuto com a mesma paixão que proporcionou sua criação.
Boas baforadas – Raquel Cusin



Deixe um comentário